Yoga

Hatha Yoga
Prof. Fred Peixoto

 

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O que é Yoga?

Yoga pode ser definido como um método para se atingir uma meta. Ou uma tentativa de explicação e solução para o problema da vida. Esta é a concepção primeira da yoga.

Mas antes de entrarmos em pormenores, é bom esclarecer que yoga não é o nome de um só método.
Na Índia várias vias de ascese mística ou de caminhos religiosos usam o nome yoga para denominar suas escolas. Por exemplo: Bahkti yoga ( yoga devocional, do amor a Deus) é a yoga praticada pelo Movimento Hare Krishna (Krishna é considerada uma encarnação de Deus). Algumas outras vias são:
Jnana (conhecimento) yoga, Karma (ação) yoga, Kundalini (suposta bioenergia potencial) yoga, mantra (palavra) yoga, yantra (símbolo) yoga e outras mais.

Qual a origem do nome?
A palavra yoga é originária da raiz verbal sânscrita (o sânscrito é o latim dos indianos) jug, que significa jungir, juntar, além de ter inúmeras conotações como oprimir, dominar, subjugar , sujeitar, união, método, restrição, empenho, etc.
Afinal é a Yoga ou o Yôga. A primeira é o uso comum e a que está nos dicionários, grafado com i. A última é a pronuncia sânscrita.

O homem, único animal dotado de razão, isto é, da capacidade de elaborar explicações para as coisas diante de si e do Universo, indaga-se: Que? Como? Por quê? Donde? Para que?

A Grécia é o berço do pensamento Ocidental, dos mitos às primeiras respostas dos pré-socráticos aos nossos dias. Com a entronização da Ciência e da tecnologia muitos porquês foram respondidos, mas muitos continuam sem respostas. Será que algum dia teremos respostas para todos os porquês?

Muitos inventam respostas e vendem a bom preço. É só entrar numa livraria e você verá que a quantidade de prateleiras dos livros esotéricos (cristais, pirâmides, numerologia, astrologia, ovnis, florais de Bach, etc.) é muito maior do que a dos livros de ciências. Mas esse é um outro assunto.

O mundo oriental também deu suas respostas. No imenso e multiforme continente asiático, o indiano se destaca por seu temperamento filosófico. Ao contrário da filosofia Ocidental, suas filosofias são essencialmente metafísicas. Diante da trajetória comum a todos nós do nascer, viver, envelhecer, adoecer e morrer; concluem: a felicidade não está neste mundo está noutro mundo, ou estado de ser ou até mesmo de não ser.

O mundo empírico, natural, fenomênico, sensível é provisório. Buscam a vida eterna, a libertação do nascer e renascer. Faz da vida um trampolim para o nirvana. São filosofias estóicas. Consideram a ascese e a renúncia a solução para o problema da vida, do sofrimento e do mal. Deste modo o homem alcançará a salvação.

A Yoga é um dos caminhos de salvação. Esta era a proposta original. Hoje a Yoga está sendo adaptada para o homem Ocidental. Alguns grupos ainda se sentem atraídos por sua filosofia. Outros, separam a filosofia das técnicas. Há uma modalidade de Yoga chamada Hatha Yoga, método de cultura física e disciplina mental de inegável eficiência, que inclui em sua prática exercícios físicos vigorosos, respiração, meditação e relaxamento. O objetivo é a preservação da saúde e uma melhor qualidade de vida.

Se você pretende conhecer melhor seu corpo, desenvolver força, flexibilidade, resistência física e serenidade mental, você está no caminho certo. Logo adiante você saberá mais sobre a Hatha Yoga.

Antes vamos conhecer um pouco mais sobre Yoga.

OS SEIS SISTEMAS ORTODOXOS DO PENSAMENTO HINDU

Yoga é especialmente o nome que se dá a um dos seis sistemas ortodoxos do pensamento hindu e a seus métodos de disciplina mental e corporal. Orto (reto), doxa (opinião). Os dois sistemas heterodoxo são: Jainismo e Budismo. Hetero (outro).

As seis escolas ortodoxas da filosofia clássica hindu são chamadas darshanas, ou “modos de ver” . Vamos conhecê-las de passagem.

1) YOGA – Sistema codificado no séc II a.C. pelo mítico sábio Patanjali que reuniu o que considerava de melhor da tradição mística indiana em seu Yoga Sutra (Aforismos da Yoga), uma carta de alforria composta de 196 breves frases, auxílio mnemónico para transmissão oral de mestre a discípulo. Em quatro capítulos Patanjali resume o processo e as ferramentas para a autolibertação. Os aforismos estão divididos como segue:

a) samadhi-pada, capítulo sobre o extâse – 51
b) sadahana-pada, capítulo sobre a via – 55
c) vibhuti-pada, capítulo sobre os poderes paranormais – 55
d) kaivalya-pada, capítulo sobre a libertação – 34

Este sistema é também chamado Raja Yoga (yoga real) e Ashtanga Yoga (yoga de oito membros).

O Yoga tem como fundamento metafísico o Sankhya, filosofia dualista, que concebe o universo composto de dois princípios distintos: o princípio espiritual (purusha), múltiplas individualidades, mônadas; e o princípio matérial (prakriti).
O purusha esta ligado à matéria e é submetido a uma interminável ronda de trasmigração (sansara). A libertação (moksha) do espírito da matéria é a meta a ser alcançada.

O Sankhya e a Yoga são considerados dois aspectos de uma única disciplina. O Sankhya é a teoria; Yoga, a metodologia da libertação.

Patanjali descreve os oitos aspectos do yoga como galhos de uma árvore.

Yama - disciplinas ética
Niyama - auto-observações
Asana - postura
Pranayama - controle respiratório
Pratyahara - retraimento dos sentidos
Dharana - concentração
Dhyana - meditação
Samahi – êxtase, superconsciência

2) SANKHYA - Elaborada por Kapila (séc.VI a.C.). Filosofia dualista. Considera o espírito distinto da matéria. A salvação ou libertação (moksha) só é alcançada com a separação do Eu espiritual do mundo material.

3) NYAYA - Em sua origem uma escola de retórica. O instrumento para a obtenção do conhecimento é o raciocínio lógico.

4) VAISESHIKA – Fundada pelo lendário Kananda que elaborou uma teoria atomista da matéria e considerava que a via da salvação era a compreensão das leis da natureza. Nyaya e Vaiseshika acabaram se constituindo em uma única escola.

5) PURVA MIMANSA. Significa “primeira investigação”. Se baseia na autoridade védica. Busca interpretar corretamente os mandamentos contidos nas partes mais antigas do Veda. Acentua a importância da correta ação (dharma).

6) UTTARA MIMANSA – Significa “investigação posterior”. Mais conhecida como Vedanta, “fim do Ve-da”. Baseia-se nos Upanishades, escritos místicos que buscam a compreensão do Absoluto.

O Vedanta tornou-se o darshana mais importante no último milênio. O filósofo Shankara, séc. IX, é seu intérprete mais importante tendo fundado a escola Vedanta Advaita (não-dual), que ensina que a alma individual (atman) e o Absoluto (Brahman) formam uma única unidade.

Esta concepção monista foi alterada por Ramanuja, séc. XII, que aceita a possibilidade de união do indivíduo com o Absoluto, mas considera o indivíduo distinto do Absoluto. Ramanuja é tido como o criador da corrente bhakti (devocional) do hinduismo, a mais praticada atualmente.

Veda – Coletânea de hinos e encatamentos mágicos das famílias arianas pastoris que entraram na Índia pelas montanhas do noroeste durante o segundo milênio a.C. É composto de quatro coleções cuja composição deve ter se fixado na forma atual cerca de 1500-1000 a.C.:

1) Rig Veda (hinos). 2) Vajur Veda (formúlas dos sacrifícios). 3) Sama Veda (Contos). 4) Atharva Veda (fórmulas mágicas). É também considerado Veda os livros que derivam destes e foram escritos muito tempo depois, são os Brâmanas, Aranyakas e Upanishades.

Eis aí uma panorâmica da visão indiana da vida. As respostas que eles deram são satisfatórias? Cabe a você responder. C.G. Jung , psiquiatra suiço, considerava os orientais, em termos de psicologia, muitas léguas a frente dos ocidentais. Será?
As filosofias indianas estão fundamentadas nas experiências interiores místicas. E se assemelham com a ótica de Plotino, Escoto Erígena, Meister Eckhart e com os pré-socráticos Parmênides, Empédocles, Pitagoras e Heráclito.


“Não acredite em autoridade, acredite na sua razão. Confronte sempre suas idéias com a realidade antes de determinar sua validade”.
(Galileu Galilei)

Faça da razão o seu astrolábio.