Meditação

Hatha Yoga
Prof. Fred Peixoto

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Meditação

Encontramos no verbete do dicionário as definições de meditar: ponderar; estudar; considerar; intentar; projetar; pensar sobre; refletir. E meditação: contemplação, oração mental.

O conceito de meditação da yoga é um pouco diferente.
Penso, logo existo. Assim afirmou Descartes. O yogui pergunta, quem pensa? Quem é o sujeito que pensa, qual a sua natureza, de que ele é formado, ele é um feixe de pensamentos que denominamos “eu” que observa outros pensamentos? Ou é independente dos pensamentos? É possível se estar consciente, ter ciência de alguma coisa, sem pensamentos? Se deixo de pensar, deixo de existir como eu?
O que há além do eu pensante?

Segundo a Yoga o eu pensante é uma instância, um estado inferior, restrito de consciência. A percepção bipolar da realidade, as noções de espaço, tempo, causa e efeito estão nos limites desse eu pensante.

O homem é pensamento cêntrico. Eucêntrico. Porém, há um além, um estado ampliando de consciência sem fronteiras, cosmocêntrico. Esse estado mental, ou além do mental é chamado de samadhi que pode ser traduzido por extâse (ex: fora; stase; estar). Os astronautas rompem os limites da Terra; os yoguis, os limites do eu pensante. Este além do eu pensante não é um mergulho na subconsciência ou no inconsciente, mas um elevar-se para uma superconsciência.

Portanto, meditação seria transcendência da mente. Não seria uma técnica, um fazer, mas um estado de consciência. O certo seria, onisciência. Já que consciência significa ciência de algo. E no samadhi, já não há o outro, pois os muros da mente foram abaixo, portanto, se é ciente de tudo. É preciso dizer que há vários graus de samadhi. O que acabo de tentar descrever seria o grau máximo.

No Yoga Sutra de Patanjali, a codificação da yoga, o plano de fuga dos grilhões dos sentidos e da mente se processa em oito etapas, as cinco primeiras, são preparatórias, práticas corporais; as três últimas, mentais: concentração, meditação e extâse.

Mais informações você pode obter no Yoga Sutra, o qual é dividido em 4 partes e com quase duas centenas de afirmações breves e lacônicas. Alguns especialistas afirmam que a última parte pode não ter sido de autoria de Patanjali. Há inúmeros comentários do Yoga Sutra, alguns mais autorizados, outros menos.

Esse assunto dá muito pano para manga. Quem já leu demoradamente a respeito e não ficou com uma pulga atrás da orelha, atire a primeira pedra.
Há algum estudo sério a respeito desse suposto estado de samadhi?
Não. Por enquanto não passa de uma hipótese.

No entanto algumas técnicas de meditação foram estudadas e descobriu-se efeitos fisiológicos benéficos para a saúde.
Vamos aprender a meditar sem nenhuma pretensão a não ser relaxar. O que já é muito nos dias de hoje.

Prática da Meditação

Conhecemos três estados de consciência: O estado de vigília, esse em que nos encontramos; o estado de sono sem consciência e o estado de sonho. Há porém um outro estado, chamado de quarto estado ou meditativo. Neste estado, devido a tranquilização mental, o corpo produz uma reação fisiológica especial. Indicativa de um profundo descanso.

O Dr. Herbet Benson, cardiologista norte-americano, professor da Universidade de Medicina de Harvard e diretor do Departamento de Hipertensão do Hospital Israel de Boston é um dos pioneiros no estudo dos efeitos fisiológicos da meditação. As informações que darei aqui são do livro do Dr. Benson: A Resposta do Relaxamento, Editora Nova Era/Record, 140 páginas.

O Dr. Benson estudou em especial um tipo de meditação chamada Meditação Transcendental. Por ser simples e exigir pouco treino do praticante e não necessitar de uma concentração intensa, controle mental ou físico rigoroso. Você vai aprender a praticá-la aqui.

A técnica é simples: você escolhe uma palavra e repete-a mentalmente várias vezes, enquanto está comodamente sentado de olhos fechados. A palavra que você escolheu sendo repetida impede que seus pensamento divaguem. Sua atitude deve ser passiva, se outros pensamentos vierem à mente ignore-os e volte a sua palavra escolhida.

Durante vinte minutos, duas vezes ao dia você faz isso. Só isso. Mais detalhes serão dados adiante.

Um alerta aos desavisados : Afirmam os divulgadores da MT, adeptos do guru Maharishi Mahesh Yogui, que o mantra que eles vendem a bom preço ( uns mil reais aproximadamente) aos ingênuos interessados em aprender o que você, esperto, aprenderá aqui gratuitamente, é de fundamental importância pois o “som secreto” teria efeitos sobre a mente e o corpo.

Bobagem. Os estudos do Dr. Benson desmentem isso. O som não fez nenhuma diferença nos testes. E outra, a promessa de que os praticantes adiantados da MT, com o aprendizado de mais uma técnica secreta e uma boa quantia em dinheiro (money é o mantra mais repetido pelos gurus, secretamente é claro) faria os praticantes levitar, não passa de embuste. Abra os olhos!

Separando o joio do trigo, vejamos então os benefícios desse “ócio mental tranqüilizante”:

O efeito mais surpreendente da meditação é a rápida redução do consumo de oxigênio pelo praticante.
Ao dormirmos, depois de umas 4 ou 5 horas de sono o consumo de oxigênio passa a ser 8% menor do que quando estávamos despertos. Durante a meditação, no entanto, a redução é em média de 10 a 20% e ocorre nos 3 primeiros minutos.

Segundo o Dr. Benson não há outro meio de alguém provocar tal redução, mesmo que se prendesse a respiração, os tecidos continuariam a utilizar o oxigênio disponível no mesmo ritmo e não haveria diminuição no consumo de oxigênio.

Além desse efeito, a meditação diminui a adrenalina, a pressão sanguínea, o ritmo cardíaco numa média de 3 pulsações por minuto, os hormônios responsáveis pelo estresse e reduz a taxa de lactato no sangue (substância produzida pelos músculos esqueletais e ligada a ansiedade).

Mais lactato no sangue, mais ansiedade. As ondas alfa (ondas cerebrais lentas) aumentam em intensidade e frequência, estas ondas estão presentes quando as pessoas estão relaxadas. O Dr. Benson defini a meditação como “uma condição altamente relaxada associada com a atividade reduzida do sistema nervoso simpático”.

As mudanças fisiológicas em pessoas que estavam praticando este tipo de meditação eram muito similares aos efeitos observados em peritos em yoga e zen altamente treinados, com quinze ou vinte anos de experiência concentrada na meditação.

Meditar aumenta o bom humor, a autoconfiança, melhora o relacionamento com as pessoas e evita o aparecimento de doenças psicossomáticas. Você relaxa e libera o corpo e a mente da sobrecarga de trabalho e estabiliza as emoções. Com a meditação sua capacidade de concentração e a criatividade se multiplica.

Porém, sem disciplina você não consegue nada. A prática é fundamental. Mãos à obra. Ou melhor, mente e corpo ao ócio curativo da meditação. Prove, faça esta prática no mínimo uns 15 dias consecutivos. Lembre-se! A palavra sabor e saber vêm da mesma raiz latina. Experimente.

Para sua meditação dar resultados, é necessário que se aplique estes quatro elementos:
1) Um ambiente tranqüilo. 2) Um objeto no qual se fixar. 3) Uma posição confortável. 4) Uma atitude passiva (o mais importante dos quatros).


Instruções para Meditar


1) Sente-se calmamente numa posição confortável.

2) Feche os olhos.

3) Relaxe todos os músculos. Descontrai-os dos pés até o rosto. Conserve-os relaxados. Se você estiver muito tenso faça o seguinte: inspire pelas narinas, prenda o ar nos pulmões e conte até 6, expire suavemente pela boca. Faça isso por 6 vezes ou mais. Depois, passe a respirar normalmente.

4) Você é livre para escolher qualquer palavra, por exemplo, UM. Se desejar use uma palavra ligada as suas crenças ou tradição religiosa. Por exemplo: Om, Deus, Jesus, Paz, Buda, Luz, Ave Maria, Amor, Harmonia, Alá, etc.

5) Você vai repetir, pausadamente, esta palavra sem se perturbar com as distrações. Dê um espaço de silêncio entre a repetição de uma palavra e outra. Se puder repetir a palavra toda às vezes que o ar sair pelas narinas, sem interferir em seu ritmo, faça-o.

6) Conscientize-se da sua respiração. Respire de modo fácil e natural pelas narinas. Simplesmente siga a respiração, sem interferir em seu ritmo. Todas as vezes que o ar sair pelas narinas, diga a palavra “UM” mentalmente.

7) Durante quinze ou vinte minutos, continue acompanhando a saída do ar e dizendo silenciosamente a palavra “UM”.

8) Mantenha a atitude passiva. Não se preocupe se está tendo ou não êxito em alcançar um nível profundo de relaxamento. Permita que o relaxamento ocorra no seu próprio ritmo.

9) Quando surgirem pensamentos que o distraia tente ignorá-los evitando fixar-se neles. Volte a repetir “UM”. Com a prática o efeito surgirá com pouco esforço. Quando terminar permaneça por alguns minutos sentado. Abra os olhos e levante-se. Faça tudo com calma.

10) Execute a técnica uma ou duas vezes ao dia, mas não no período de duas horas após qualquer refeição, já que o processo digestivo interfere na resposta fisiológica do relaxamento.

11) Os sentimentos subjetivos que acompanham a meditação variam de indivíduo para indivíduo. A maioria das pessoas tem uma sensação de calma e fica muito relaxada. Outras pessoas dizem ter sensações de prazer, frescor e bem estar. Algumas notam poucas mudanças sob o aspecto subjetivo. Independente do que se sinta subjetivamente, a mudança fisiológica estão ocorrendo.

12) Lembre-se! Assim como você experimenta raiva, satisfação e euforia, você também tem a capacidade de experimentar o estado meditativo. Se você adormece usando a técnica, não está meditando. Você está dormindo. O que é outra coisa.